Sempre fui muito ligado à minha família, especialmente à minha mãe. Por isso muita gente se impressionou quando eu disse que ia me mudar e morar sozinho. Me perguntavam “Como assim, e a tua mãe como que vai ficar?” Ou então “em um mês tu voltas pra casa” como se nem eu nem a minha mãe pudéssemos tomar conta de si mesmos.
Pois me mudei, estou bem e acredito que a minha mãe também esteja. Sempre lidei muito bem com a solidão, ainda bem, pois essa é a primeira coisa que você percebe quando vai morar só. Você acorda e não tem ninguém pra dar bom dia ou pra dar boa noite quando chega do trabalho. Ninguém te pergunta se você quer jantar fora ou em casa e você descobre na prática que a louça não se lava sozinha.
No dia que eu saí de casa abracei forte a minha mãe, que me desejou boa sorte, e fiz um esforço enorme pra não chorar ali na frente dela, preferi passar uma imagem de maduro e forte, sei que ela sabia o quanto eu sentiria a sua falta. Sei também que as lágrimas que eu não permiti cair naquele momento ainda estão aqui guardadas pra caírem junto com a ficha de que eu realmente sou independente de verdade, e que também ainda não caiu.
No começo, acredito eu, seja assim mesmo, todo dia uma descoberta nova, como uma criança aprendendo sobre o mundo, indo pra um colégio novo ou aprendendo a andar de bicicleta. Não quero parecer um retardado que não sabe passar uma camisa, pagar a conta de luz ou levar o lixo pra fora, mas há transformações que você passa sim. São, no entanto, mudanças psicológicas.
Provavelmente terei que reescrever este texto daqui a um mês, quando estiver mais ambientado e acostumado. Por enquanto essas novidades e tarefas como fazer a mudança (que ainda não terminei), ligar o gás, instalar a TV a cabo, fazer as primeiras compras de supermercado e etc. acabam me tomando o tempo que passaria pensando na minha vida, como ela está, pra onde ela foi e pra onde ela ainda vai. Aguardem os próximos capítulos.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
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